Memórias e Identidades*
O presente texto foi elaborado especialmente para a oficina "Memória e Identidade" ministradas pelas Profas. Simone Valdete dos Santos e Maria Stephanou, nos dias 23 e 24 de maio de 2002 no município de Gravataí, sendo uma das atividades do VII Simpósio Estadual sobre a Cultura Gravataiense cujo tema central: Gravataí, Culturas e Identidades - Caminhos para a inclusão social" promovido pela Fundação Municipal de Arte e Cultura (FUNDARC).

Simone Valdete dos Santos

"Recordar é viver"

O ditado popular, tantas vezes repetido, revela que nossa capacidade de lembrar está vinculada às nossas vivências, que lembramos situações mediante nossas experiências imediatas.

A afirmação de Ecléa Bosi reforça o entendimento da memória vinculada ao imediato, ao agora: “A lembrança é uma imagem construída pelos materiais que estão agora a nossa disposição, no conjunto de representações que povoam nossa consciência atual”(1983). Os materiais a nossa disposição, mencionados por Bosi, constituem-se em objetos evocadores de memória: um disco anteriormente ouvido que volta às nossas mãos, uma fotografia, um diário, documentos de um registro oficial, entre tantos outros exemplos, podem significar e ressignificar nosso passado envolto por esses objetos, a partir do que estes objetos representam em nosso presente e já anunciando para futuras experiências.

Logo, as lembranças, as reminiscências, as recordações não nos ocorrem ao acaso, são provocadas e provocadoras de tensões/acontecimentos presentes e/ou vindouros. Em geral, há um trabalho de produção das memórias. Os acontecimentos, as tensões estão relacionados e podem ser fonte de inspiração dos objetos, das imagens, dos sons, sendo estes evocadores e vestígios concretos das memórias.