Pedagogia Surda

Atualmente, predomina a Pedagogia Surda, constitui enquanto um programa de pesquisa em educação, onde as identidades, as línguas, os projetos educacionais, a história, a arte, as comunidades e as culturas surdas, são focalizados e entendidos a partir da diferença, a partir do seu reconhecimento político. É preciso que o surdo seja reconhecido como um sujeito completo. No entanto, durante muitos anos, houve a tentativa de normalizá-lo. Essa tentativa foi impedida devido à resistência do povo surdo, que lutou pelo reconhecimento de sua língua própria, a Língua de Sinais.
Porém, ainda hoje, no ambiente escolar, o surdo sofre pelo fato de a estrutura da sua língua natural escrita, se diferenciar da estrutura da Língua Portuguesa. Em muitos casos, quando o professor não entende sua escrita, o aluno surdo pode sofrer preconceito, recebendo até mesmo rótulos relativos à falta de interesse, bem como, enfatizam que estes possuem dificuldades.
Quando o professor ouvinte sabe Língua de Sinais, pode comunicar-se de maneira satisfatória com seu aluno surdo. Porém, quando o professor também é surdo, além da mesma comunicação, ambos possuem a mesma identidade, o que contribui para uma harmonia ainda melhor entre professor-aluno. A sala de aula passa a ser um lugar de ricas trocas de conhecimentos entre ambos, as quais ocorrem de forma natural, além de o aluno encontrar na figura do professor um modelo de adulto surdo. A presença do professor surdo em sala de aula recebe ainda maior importância quando, muitas vezes, em suas casas, os alunos surdos não possuem uma boa comunicação com sua família devido à barreira da língua. O professor surdo, além de um líder para o aluno surdo, representa uma perspectiva para o seu próprio futuro.
A introdução da Língua de Sinais no currículo de escolas para surdos é um indício e um começo de demonstração de respeito a sua diferença. É desejo dos surdos que as escolas, dentro de sua cultura, os preparem para o mercado de trabalho e meio social, e que trabalhem e desenvolvam em aula fatos culturais próprios dos surdos, tendo por base a Língua de Sinais.
Porém, se pensarmos na atual educação de surdos, veremos que, mesmo após seu desenvolvimento, o baixo índice de participação dos surdos no ensino médio, e menor ainda no ensino superior, e até mesmo o baixo nível salarial dos surdos, dentre outras conseqüências, comprova que a educação de surdos permanece carente de mudanças.
A luta pela inclusão educacional é questionada por muitos surdos devido a estes permanecerem sob o poder de professores ouvintes, dentre os quais, muitos não possuem o domínio da Língua de Sinais. Surge então uma exclusão no que se refere à efetiva participação e autonomia do aluno surdo em aula, mascarada pelo conceito de inclusão (MOURA, 2000).
No Brasil, existem poucas escolas de surdos que usam Pedagogia Surda, outras escolas usam Bilingüismo. No caso das escolas inclusivas, faz-se necessário a existência da LIBRAS em sala de aula, bem como um espaço para os surdos, porém não aprofunda identidade, cultura, etc. Segundo o documento elaborado a partir da união da comunidade surda pela luta por uma melhor educação, no ano de 1999, intitulado “A Educação que nós surdos queremos”, mostrou vários tópicos importantes relativos à educação de surdos, dentre eles: “propor o fim da política de inclusão-integração escolar, pois ela trata o surdo como deficiente e, por outro lado, leva ao fechamento de escolas de surdos e/ou ao abandono do processo educacional pelo aluno surdo”. Embora existam poucos registros, houve, na década de 20, a abertura de várias escolas de surdos em Porto Alegre e cidades do interior do Rio Grande do Sul. Atualmente, a maioria das escolas de surdos, usam Língua de Sinais no Rio Grande do Sul. Todas as escolas de surdos têm alguns professores surdos dando aula, isto é muito mais importante, pois traz o modelo surdo-surdo. Mas, a maioria são professores ouvintes, que poucos sabem LIBRAS, infelizmente isto prejudica ensino aos alunos surdos que acaba sendo ensino fraco. Assim dificulta que os surdos alcancem outros níveis no futuro, como um curso universitário.
Atualmente está crescendo o número de surdos estudando na universidade, já faz 15 anos que os surdos começaram a estudar na universidade, lutaram pedindo o direito a ter intérprete e conseguiram. A maioria dos surdos se formou no curso Pedagogia ou Educação Física ou cursos de licenciatura, pelo acesso ao mercado do trabalho, como ser professor na escola de surdos. Também, ultimamente várias escolas de surdos contrataram professor surdo, pode ser um ou mais de 2 professores surdos. Existe a disciplina Língua de Sinais nas escolas de surdos, a primeira disciplina que surgiu em 1989 em Caxias do Sul – RS, era base e fundamental para Comunidade Surda.
As escolas de ouvintes têm ensino Língua Portuguesa e para que serve? Para desenvolver diferentes possibilidades de explorar a língua. Conhecer suas variantes, adequar o uso ao contexto, desenvolver a escrita, e assim por diante. É a mesma coisa de que os surdos necessitam na Língua de Sinais. Assim, julgo que os surdos também precisam ter conhecimento sobre os acontecimentos envolvendo surdos e suas comunidades, para empoderar sua identidade, cultura, etc... No caso, os ouvintes têm uma vida fora de casa e da escola, na sociedade, com informações grandes, que também chegam pela família ouvinte, pela mídia, etc. Onde os surdos podem construir a Identidade e Perspectiva Surda? Na disciplina de Libras, a maioria é professor surdo, por causa da sua língua.
Um outro exemplo, dos surdos que se formaram no curso de Informática, trabalham numa empresa de informática, também facilita o acesso ao mercado de trabalho. Outros surdos trabalham como professor de informática na escola de surdos.
A partir de 1998, alguns surdos começaram a estudar na pós-graduação, como mestrado e doutorado, nas principais universidades, por exemplo, UFRGS (Universidade Federal de Rio Grande do Sul). Há três surdos mestrandos atualmente; já tem alguns surdos doutorados e mestres formados na UFRGS e UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). A maioria desses surdos escolhe o tema sobre educação de surdos, isto mostra a capacidade dos surdos!
Atualmente os surdos mestres e doutorados trabalham numa universidade privada e federal que obriga a disciplina de LIBRAS nos cursos de licenciatura. Há aproximadamente 8 surdos concursados, traballhando como professores, nas universidades federais do Brasil.
Surgiu recentemente o curso de graduação em Letras/Libras, que forma profissionais licenciados que atuarão no ensino de Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) para alunos surdos e ouvintes. O curso surgiu em 2006, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e tem nove pólos no Brasil. Atualmente o curso tem 15 pólos que abriram em 2008, abrangendo licenciatura e bacharelado (forma profissionais intérpretes de LIBRAS). O curso é na modalidade à distância, com aula presencial uma vez por mês, nos sábados e domingos.

ORALISMO COMUNICAÇÃO TOTAL BILINGÜISMO

Unidade 3