Atividades - Unidade 3

- ATIVIDADE 1: 

Atividade: Leia o texto de Harlan Lane, retirado do livro “A Máscara da Benevolência: a comunidade surda amordaçada”, que apresenta a política de ensino de surdos em diferentes países:


A POLÍTICA DO ENSINO DE SURDOS (p. 170)

      O grande progresso de várias minorias do Ocidente – Por exemplo, dos afro-americanos e dos hispano-americanos nos Estados Unidos – levou os adultos surdos a perceberem-se que os direitos ganham-se lutando. Duas vias estão abertas aos líderes surdos: Trabalhar pela reforma dentro do actual sistema audista, ou desafiar esse sistema. Ao seguir a primeira via, os surdos têm um preço a pagar, pois implicitamente subscrevem a hostil definição da experiência surda como uma enfermidade. Por exemplo, podem criar lobbies no Congresso para aprovar a Lei sobre Americanos Incapacitados, com cláusulas para os surdos; enquanto os líderes surdos sabem que não são incapacitados, as suas acções fazem crer que são e enfraquecem os seus pedidos de acesso aos fundos, de acordo com a Lei sobre o Ensino Bilíngüe. Quando o Congresso, em resposta ao activismo dos surdos, propôs a criação de um instituto nacional de investigação virado para a preocupação dos surdos, os líderes surdos criaram lobbies para essa iniciativa, ainda que o instituto se situasse dentro das instalações do Instituto Nacional de Saúde e tivesse como designação Surdez e Outros Problemas de Comunicação, o mesmo princípio que o activismo visa negar. Além disso, os líderes surdos estavam a subscrever uma política em que as organizações para surdos (dirigidas quase exclusivamente por pessoas ouvintes) conseguem grandes subsídios do governo, enquanto que as organizações de surdos não conseguem.
      A fim de participar na condução dos seus próprios assuntos, os surdos tiveram de participar como incapacitados. Os audistas puseram os surdos neste duplo problema. Um meio de assegurar que um grupo oprimido interiorize a sua manobrada identidade é o de recompensar com a condição de o mesmo abraçar essa identidade. Numa sociedade em que se dá dinheiro ou benefícios fiscais às famílias por cada filho, as mulheres confrontam-se com um duplo problema. Numa sociedade se isentam os homossexuais do serviço militar por razões psiquiátricas, os homossexuais confrontam-se com um duplo problema. Por que não aproveitar as mordomias se são legalmente nossas, numa sociedade que, em todo o caso, nos tem oprimido e nos deve muito? Porém, cada acto desses vitima o beneficiário e o seu grupo.
      Se o sistema audista continuar a por de parte os próprios surdos, silenciar a sua narrativa e evitar a sua colaboração, teremos de esperar que os adultos surdos sigam a via que tipicamente tem sido seguida por outras minorias lingüísticas frustradas. <<Talvez sejamos forçados a subir o nível dos nossos protestos>>, é uma citação do encontro de 1986 da Associação Nacional do Surdo: entrevistas em jornais; campanhas com panfletos, manifestações no ministério; vigílias estudantis. Na verdade, os lideres britânicos surdos, determinados a quebrar o silêncio de um século em torno da exclusão da cultura e linguagem dos surdos do ensino de surdos, fizeram manifestações, piquetes e panfletos durante o Congresso Internacional sobre o Ensino de Surdos em Manchester, e paralelamente realizaram o seu próprio <<congresso alternativo>>. Desde então têm aumentado os protestos dos surdos na Europa e na América.
      O evento mais significativo na historia contemporânea dos surdos, a Revolução de Gallaudet, foi fruto deste tipo de activismo. De 6 a 13 de Março de 1988, foi a semana em que o mundo ouviu falar em Gallaudet. Durante esta semana, a população surda da América ergue-se e assumiu o controlo da primeira instituição para surdos no mundo. A revolução incutiu orgulho nas crianças e nos adultos surdos. Apresentou aos pais ouvintes de crianças surdas, muitos pela primeira vez, profissionais surdos de sucesso. Aumentou o ímpeto do desenvolvimento de programas educativos bilíngües e biculturais par as crianças que utilizam a ASL. (...).

Fonte: LANE, Harlan. A Máscara da Benevolência: a comunidade surda amordaçada. Lisboa: Instituto Piaget, 1992.

1. Com base na leitura do texto da unidade 3 e no texto de Harlan Lane, discuta a seguinte questão: Muitas escolas de surdos utilizam um ensino estruturado por ouvintes, não respeitando a cultura, língua e identidade das pessoas surdas. De acordo com o texto, quais as possibilidades de uma mudança nas propostas de ensino dessas escolas? Explique e discuta.

2. Você conhece alguma instituição de surdos (escolas, associações, clubes, locais de trabalho etc...) em que os próprios surdos participem ativamente como líderes? Descreva e comente. Caso você não conheça nenhuma instituição com a participação de surdos líderes, quais são os desafios tanto das instituições quanto dos surdos para uma participação ativa dos surdos em diferentes instituições? Explique. 

Poste o texto (de uma a duas páginas) no webfolio do Rooda, com a seguinte identificação no arquivo:

nome_libras_unidade3_atividade1.doc

Exemplo: carla_libras_unidade3_atividade1.doc    

Prazo para postagem da Atividade 1: 15/11/2009. 


- ATIVIDADE 2

Para realizar esta atividade você  deverá assistir ao vídeo em Libras da Unidade 3 (diálogo) OU o vídeo da unidade 2, produzido pelas professoras de Libras. Esta atividade deverá ser realizada em grupos (máximo: 4 pessoas).      

Olhem atentamente o diálogo e os sinais e tentem responder com poucas palavras:

  1. Qual é o tema central do diálogo?
  2. Em que lugar o diálogo está acontecendo?
  3. Você reconheceu alguns sinais? Quais? Cite ao menos 5 sinais.

Para consulta opcional: Dicionário disponível em pdf: 

http://www.faders.rs.gov.br/portal/uploads/Dicionario_Libras_Atualizado_CAS_FADERS.pdf   

Poste o texto no webfolio do Rooda, com a seguinte identificação no arquivo:

nome_libras_unidade3_atividade2.doc

Exemplo: Carla_libras_unidade3_atividade2.doc    

   Prazo para postagem da Atividade 2: 25/11/2009. 

Unidade 3