A língua de sinais e os mitos criados para ela

O primeiro e grande mito que é necessário desfazer é o fato de muitos acreditarem que a língua de sinais é universal, ou seja, igual no mundo inteiro.

Ela não é e se diferencia em cada país.

Exemplos:

Língua de Sinais Brasileira

(Libras);

Língua de Sinais Portuguesa

(LGP - Língua Gestual Portuguesa);

Língua de Sinais Holandesa

(SLN – Sign Languege of Netherlands);

Língua de Sinais Americana

(ASL – American Sign Language);

Língua de Sinais Argentina

(LSA - Lengua de Senas Argentina);

Língua de Sinais Britânica

(BSL - British Sign Language);

Língua de Sinais Chilena

(JSL Lengua de Senas Chilena);

Língua Francesa de Sinais

(LSF Langue des Signes Française) etc.

No Brasil, ocorre também um numeroso estudo sobre os contextos bi /multilíngües, embora haja diversos contextos em que mais de uma língua é falada. Cavalcanti (1999) comenta que existe um forte mito de monolinguismo no país, onde comunidades indígenas, imigrantes e até comunidades surdas estão sendo excluídas. A autora alerta que o país tem cerca de 203 línguas: 170 línguas indígenas, 30 línguas de imigrantes, 1 língua de sinais brasileira (Libras) e 1 Língua de Sinais Kaapor Brasileira  (LSKB) e, é claro, língua portuguesa. Nota-se que o Brasil não é um país monolíngüe, visto que estes povos existem e mantêm suas línguas vivas, uma pluralidade lingüística e heterogeneidade cultural. Os índios Urubu-Kaapor utilizam a LSKB que não apresenta relação estrutural ou lexical com a LIBRAS, devido à inexistência de contato entre ambas.

Por ser uma língua, tal qual o inglês, francês, ASL, entre tantas outras línguas faladas ou sinalizadas, as línguas de sinais possuem suas especificidades lingüísticas, isto é, fonologia, morfologia, sintaxe, semântica, pragmática.

Quadros e Karnopp (2004, p 31-37) descrevem mais alguns mitos, por exemplo:

1) “A língua de sinais seria uma mistura de pantomima e gesticulação concreta, incapaz de expressar conceitos abstratos”. Isso é outro erro cometido pelas pessoas, elas pensam que os sinais são concretos, que são apenas gestos, mas os sinais são palavras na relação entre o significado arbitrárias na relação entre o significado e o significante, de modo visual. Os sinais expressam sentimentos, emoções, inclusive idéias abstratas.

2) “Haveria uma falha na organização gramatical da língua de sinais que seria derivada das línguas de sinais, sendo um pidgin2 sem estrutura própria, subordinado e inferior às línguas orais”. Isto não é verdade, pois a língua de sinais é uma língua de fato, e também independe de língua oral. As línguas de sinais são autônomas e apresentam o mesmo estatuto lingüístico identificado nas línguas faladas, ou seja, dispõe dos mesmos níveis lingüísticos de análise e é tão complexa quanto às línguas faladas.

3) “As línguas de sinais derivariam da comunicação gestual espontânea dos ouvintes”. Está errado, as línguas de sinais são tão complexas quanto outras línguas orais, muitas vezes as pessoas acham que sabem a língua de sinais porque sinalizam alguns gestos e sinais.


2Pidgin não é uma língua natural, mas é uma língua que o sujeito aprende por força de alguma circunstância, já adulto, quando já tem uma língua materna...pidgin é uma língua emergencial por que aparece em situações extremas de barreiras da comunicação. (McCLEARY, 2008, p.22)

 

É possível perceber que estes mitos passaram muitos anos no pensamento das pessoas, e o que hoje se tem feito é provar que a língua de sinais é uma língua natural. Quadros reforça o pensamento de Chomsky:

Tais línguas são naturais internamente e externamente, pois refletem a capacidade psicobiológica humana para a linguagem e porque surgiram da mesma forma que as línguas orais – da necessidade específica e natural dos seres humanos de usarem um sistema lingüístico para expressarem idéias, sentimentos e emoções. As línguas de sinais são sistemas lingüísticos que passaram de geração em geração de pessoas surdas. São línguas que não se derivam das línguas orais, mas fluíram de uma necessidade natural de comunicação entre pessoas que não utilizam o canal auditivo oral, mas o canal espaço visual como modalidade lingüística. (1997, p.47).

Surdos em vários lugares: cinema, museu, shopping, festival...
Surdos praticando esportes em associação de surdos.
Surdo dançando com a vibração e olhando a telinha que indica se a música é para danças sozinho ou com parceiro.

Telefone para surdos, Pager, Relógios com vibração, alerta luminosa para choro e           

campainha luminosa para casas.

 

Surdos assistem a televisão com Closed Caption e outro filme com legenda.
Há uma máquina que alerta os pais surdos, através de um sinal luminoso, quando o bebê chora.
Surdos em diferentes atividades profissionais.
Contato telefônico de surdos com outras pessoas, através da central de intermediação surdo-ouvinte.

Intérprete de Língua de Sinais: Pessoa ouvinte que interpreta para os surdos uma comunicação falada usando a língua de sinais e vice-versa.

1) Atuação do intérprete de Libras em sala de aula
2) Atuação de intérpretes em eventos
3) Intérprete na televisão (telinha)
4) Intérprete fazendo a tradução de sinais para a fala

Unidade 1