Aspectos Físicos e Geográficos
da África

        Com a corrida ao continente africano, o estabelecimento de outros tratados após a Conferência de Berlim e a descoberta de tratados já firmados, mas encobertos durante o evento pelos países interessados, a África foi completamente dividida entre os países europeus. A partir do final do século XIX o mapa da África ficou assim:

Incluir mapa da África com as manchas relativas a cada território, com links levando aos países colonizadores.
• França: estabeleceu dois conjuntos de colônias, a África Ocidental Francesa (composta por Sudão, Alto Volta, Senegal, Mauritânia, Guiné, Costa do Marfim, Níger e Daomé) e a África Equatorial Francesa (Congo, Gabão, Ubangui-Chari e Chade). Apesar da extensa área francesa, essas regiões eram consideradas pobres em termos gerais, com pouco minério a ser explorado e com terras pouco férteis para a agricultura, além de terem poucas saídas para o mar, formando um hinterland africano.
• Grã-Bretanha: Ao contrário da França, os territórios ocupados pelos britânicos eram ricos sob o aspecto econômico e tinham, em sua maioria, saída para o mar. A Inglaterra tinha sob seu domínio a Costa do Ouro, com Nigéria e Gana, a Serra Leoa, o Gâmbia e a África Oriental, composta por Uganda, Quênia, Zanzibar, além da Rodésia, a região do lago Niassa e a região da África do Sul, incluindo a Suazilândia.
• Alemanha: Sudoeste africano, África Oriental Alemã (Tanganhica), Camarões e Togo. A Alemanha teve todas as suas colônias perdidas após a Primeira Guerra Mundial, divididas entre britânicos e franceses.
• Bélgica: Região do Congo (África central), Ruanda e Burundi, recebidos do espólio alemão após a Primeira Grande Guerra (RIBEIRO, 1998).
• Portugal: manteve suas áreas de controle nas ilhas de Cabo Verde, Guiné e São Tomé, além de Moçambique e Angola.

        Após a efetiva ocupação (a partir de 1885), a principal forma de controle dos territórios ocupados foi a militar, devido ao enorme aparato necessário para manter os povos africanos sob controle. Cada potência determinou uma forma de controle político para suas colônias, de acordo com a extensão e necessidades de repressão e conhecimento do território. Um dos mitos mais difundidos em relação à colonização do continente africano é a da docilidade e aceitação dos povos diante do poder europeu. Entretanto, hoje já se expõe o conflito e a resistência oferecida pelos povos africanos à dominação. Muitas das populações do interior africano não tinham sofrido diretamente os horrores da captura e escravidão, sendo este processo mais intenso nas áreas litorâneas, e por isso, apesar do estranhamento diante do homem branco, não apresentaram sinais de hostilidade. Todavia, com a percepção das reais intenções dos forasteiros, diversos núcleos de resistência foram estabelecidos. Dentre eles podemos citar as rebeliões no Senegal, todas eliminadas pelos franceses e com alto grau de nacionalismo por parte dos exércitos. No Sudão a resistência teve início com Amadu, filho de El-Hadj Omar, que em princípio era aliado dos franceses. A revolta teve início com a manipulação de um tratado assinado entre Amadu e o governo francês, que desconsiderou o acordo assinado pelo imperador e refez um de acordo com seus interesses, dando-lhes poder de invasão no território sudanês, deflagrando assim uma guerra entre os aliados de Amadu e os franceses. Nessa guerra os ingleses também tiveram participação contra as hordes chefiadas pelos franceses, a fim de estabelecer seu domínio comercial na região. Entretanto, os franceses foram vitoriosos e mantiveram sua política de dominação no Sudão (KI-ZERBO, 1972).

 

        Após um longo período de exploração de suas riquezas e mão-de-obra, destruição das referências culturais e ocupação de seus territórios de forma violenta, os países africanos começaram seus processos de descolonização somente em 1940, com a libertação da Libéria, e até 1963 haviam obtido a independência mais 29 países. Diversos fatores contribuíram para que os países africanos obtivessem sua independência: percepção da fragilidade do homem europeu por parte dos povos africanos, cujos homens lutaram na II Guerra Mundial lado a lado; enfraquecimento dos países europeus no pós-guerra; interesse geopolítico no continente e processos de independência na Ásia criaram o contexto necessário para que as lutas de independência adquirissem mais força na África.

        Alguns grupos desempenharam papel decisivo nos processos de independência da África. Vamos ver quais são eles?

OS SINDICATOS, sendo que o direito sindical foi reconhecido no continente somente em 1930, pela Grã-Bretanha,

Inserir figura de um grupo de intelectuais negros aqui.
OS GRUPOS DE INTELECTUAIS AFRICANOS, muitos deles formados em escolas e universidades européias e que lançaram o conceito de “negritude” para os povos africanos,


OS MOVIMENTOS ESTUDANTIS,


AS IGREJAS, que se transformaram em palco de uma nova visão religiosa africana, marcada pelo sincretismo e com a ação de protestantes, etíopes, sionistas, católicos e islâmicos,

Inserir figura de políticos negros
e os PARTIDOS POLÍTICOS, surgidos a partir de 1945 no continente (KI-ZERBO, 1972).

        A partir do caldeirão formado por estes fatos e a presença desses diversos atores teve início a marcha rumo à independência africana. O processo teve início na África Ocidental Britânica, espalhando-se pela África francesa, África belga e atingindo as áreas britânicas no centro e no leste do continente (KI-ZERBO, 1972). A África do Sul e a Rodésia foram os últimos baluartes colônias no continente negro, ainda que na África do Sul o sistema de apartheid, herança colonial, só foi eliminado no final do século XX.
      O domínio colonial africano clássico durou aproximadamente setenta e cinco anos (RIBEIRO, 1998). O processo de independência africano é um fato ainda muito recente historicamente. Muitas gerações ainda existentes conviveram com a colonização, do seu país ou de países vizinhos, e todos ainda sofrem os efeitos dos anos de expropriação e saque dos recursos naturais africanos e opressão de suas populações. Todos os países africanos ainda guardam profundas ligações com suas potências originais, seja cultural (língua, religião, hábitos europeus, ensino), estrutural (instituições políticas e públicas) e, principalmente, econômicas.

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