Aprendizagem e Desenvolvimento: Experiências Físicas e Lógico-matemáticas [1]
Daniela Stevanin Hoffmann – danielahoff@gmail.com

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) foram elaborados (1997/2002), num esforço conjunto do Governo Federal, pesquisadores e professores na busca por qualidade na Educação brasileira. Cada área do conhecimento teve seu espaço de discussão e gerou os seus Parâmetros. Foram organizados os Temas Transversais a fim de integrar essas diferentes áreas. Foram respeitadas as pluralidades da realidade brasileira e, ao mesmo tempo, a identidade nacional.

No que diz respeito à área de Matemática, os objetivos para o Ensino Fundamental (EF), resumidamente, propõem levar o aluno a:

• identificar a matemática como meio que possibilita a compreensão e a transformação do mundo;
• perceber o caráter de jogo intelectual da Matemática como estimulante ao interesse, à curiosidade, ao espírito de investigação e ao desenvolvimento da capacidade de resolver problemas;
• registrar aspectos quantitativos e qualitativos e estabelecer o maior número possível de relações entre eles a partir da seleção, organização e produção de informações relevantes, sua interpretação e sua avaliação crítica;
• resolver situações-problema experimentando diferentes estratégias e buscando comprovar a validade de seus resultados;
• desenvolver variadas formas de raciocínio e processos, utilizando conceitos e procedimentos matemáticos e instrumentos tecnológicos;
• comunicar-se matematicamente, descrevendo representando e apresentando resultados e argumentando sobre suas conjecturas, estabelecendo relações entre as diferentes formas de representação conceitual e matemática;
• estabelecer conexões entre temas matemáticos e entre esses e conhecimentos de outras áreas;
• sentir-se seguro da própria capacidade de construir conhecimentos matemáticos;
• interagir com seus pares de forma cooperativa, respeitando o modo de pensar dos colegas e aprendendo com eles.

Para tanto, os PCNs de Matemática do EF apontam alguns caminhos para o trabalho de Matemática, destacando os recursos da resolução de problemas, da história da Matemática, das Tecnologias da Informação e dos Jogos. Os PCNs asseguram liberdade de escolha, ordenação e desenvolvimento dos conteúdos identificados como os conhecimentos, competências, hábitos e valores que são socialmente relevantes. Respeitando essa pluralidade e buscando uma identidade nacional, foi consenso estabelecido que os currículos de Matemática do EF devam contemplar o estudo dos números e das operações (Aritmética e Álgebra), o estudo do espaço e das formas (Geometria) e o estudo das grandezas e das medidas (Aritmética, da Álgebra e da Geometria).

Assim, formaram-se quatro grandes blocos de conteúdos que perpassam toda a Educação Básica: Números e Operações; Espaço e Forma; Grandezas e Medidas; e Tratamento da Informação. A cada ciclo, como estão subdivididos os anos curriculares nos PCNs, aumenta a complexificação dos conceitos envolvidos. Por exemplo, no primeiro ciclo, correspondente as 1ª e 2ª séries do EF (de 8 anos), o conceito de número está sendo formado, no segundo ciclo, correspondente as 3ª e 4ª séries do EF (de 8 anos), eles foram/estão sendo classificados em Naturais, Inteiros e Racionais.

Segundo Papert (1980), o ensino da Matemática, tradicionalmente feito nas instituições escolares, é um processo que faz a criança “esquecer a experiência natural da matemática a fim de aprender um novo conjunto de regras” (p.243). Carraher (1989) também caracteriza a matemática escolar como não sendo significativa para o estudante, mas, sim, uma atividade institucional cujo objetivo é que o sujeito realize a tarefa definida pelo professor, saia-se bem em um exame, preencha o tempo na escola ou, até mesmo, aprenda Matemática.

Via de regra, a professora demonstra e/ou explica um procedimento e, a seguir, os alunos executam atividades que visam à prática do mesmo. Quando exemplos da vida diária são introduzidos na sala de aula, eles visam à execução das rotinas demonstradas pela professora, não à compreensão da situação e sua utilização para a compreensão de conceitos matemáticos. (Carraher, 1989, p. 90).


Piaget (1973), que acredita na construção natural e gradual das estruturas lógico-matemáticas elementares, critica a ênfase do ensino na transmissão de verdades do professor para os alunos, pois além da linguagem do professor ser extremamente axiomática e complexa, diferente da linguagem do aluno, essa transmissão não se preocupa com e nem oportuniza as idéias espontâneas da criança. O autor (2002), preconiza que a aprendizagem ocorre a partir da interação entre sujeito e objeto – colocando em evidência a atividade do sujeito apoiada no objeto e, ao mesmo tempo, limitada por ele –, portanto dependente de ambos, numa construção contínua.

Assim, para construir conhecimento, é preciso reestruturar as significações anteriores – a idéia que o aprendiz traz consigo –, produzindo diferenciações e integrando as novas significações ao sistema de significados do sujeito. Essa integração resulta da atividade de diferentes sistemas lógicos do sujeito, que interagem entre si e com os objetos a assimilar ou com os problemas a resolver. O conhecimento novo para o sujeito é produto de sua atividade intencional, interatividade cognitiva com os pares, trocas afetivas e investimento de interesses e valores.

A aprendizagem fica vinculada à interação do aprendente com seu objeto de estudo. Mas como interagir com a Matemática e seus conceitos abstratos? De que forma os professores de Matemática podem ampliar a interação de seus alunos com o conhecimento matemático, romper a barreira da exposição e colocar os educandos em uma posição mais ativa em que suas ações e operações sejam oportunizadas, incentivadas, respeitadas e reconhecidas?

De acordo com a perspectiva da Epistemologia Genética, um dos grandes equívocos do ensino de Matemática seria negligenciar o papel das ações. O trabalho com variados recursos didático-pedagógicos, que coloquem o aluno em interação com diversos conceitos matemáticos, principalmente os manipulativos, pois têm mais propriedades observáveis para crianças, é uma alternativa para sala de aula. Quanto mais diversificadas forem as formas conceituais (objetos "reais", objetos virtuais, desenhos, produções textuais, etc.) nas quais os alunos tenham oportunidade de manipulação livre e experimentação a fim de conhecer o objeto, operar com suas propriedades, quanto maiores forem as trocas entre os pares e com o professor, nas quais estão incluídos conteúdos atitudinais (trabalho em equipe, cooperação, respeito, solidariedade, etc), quanto mais situações-problema, nas quais os alunos encontrem significado e possam se envolver criativamente, maiores as probabilidades de que esses conceitos sejam aprendidos e não simplesmente decorados para serem repetidos.

Os professores podem preocupar-se com a possibilidade de que a variedade de referências das propriedades físicas dos objetos possam prejudicar o desenvolvimento da dedução e da racionalidade pura que caracteriza essa disciplina. Entretanto, segundo Piaget (1987), ao negligenciarem a importância da experimentação, acabam por dificultar – e até mesmo impedir – um desenvolvimento mais completo e abrangente das estruturas que tanto estimam. Ele afirma que o papel inicial das ações e experiências lógico-matemáticas, longe de impedir o posterior desenvolvimento de pensamento dedutivo, constitui-se como preparação para tal, pois as coordenações dessas ações e experiências, enquanto são interiorizadas, propiciam o surgimento de um tipo particular de abstração que corresponde à abstração lógica e matemática.

Essa interiorização pode ser entendida como representação conceitual, isto é, o exercício de representar a situação vivenciada, sistematizando os conceitos explorados. É essa sistematização que oportuniza o desenvolvimento da capacidade de abstração, que coloca o aluno em contato com a formalização do conhecimento matemático num sentido diferente do usual. O que se encontra, tradicionalmente, é uma explanação teórica, seguida da aplicação de exercícios, normalmente também teóricos, sobre determinado conteúdo; o que se apresenta como alternativa é partir da ação, da prática para a teoria, do fazer para o abstrair, do aluno para o próprio aluno.

Piaget (1972) considera que, no ato de conhecer, o sujeito é ativo e que, em conseqüência disso, encontra perturbações externas e reage a elas com intenção de compensá-las, tendendo ao equilíbrio. Por exemplo, uma criança que conhece uma bola de futebol, já interagiu com uma, cria um sistema de esquemas em relação a esse objeto e, assim, ele ganha a atribuição de ser “chutável”; ao ver uma outra bola, poderá lembrar da bola de futebol e tentar chutá-la. Somente ao fazer isso, poderá perceber se essa bola é igual a que conhece ou não: caso seja uma bola de boliche, seu conhecimento ficará perturbado e ela precisará modificá-lo, precisará agir sobre essa nova bola para classificá-la de forma diferente da bola de futebol, entendendo que uma é “chutável” e a outra não; assim, recuperará seu equilíbrio novamente, pelo menos, até encontrar uma outra bola diferente.

Segundo o referido autor (1972), o conhecimento ocorre a partir da ação do sujeito e não a partir de cópias mentais da realidade. A essa ação, que permite ao sujeito desenvolver seu conhecimento sobre um objeto, Piaget chama de operação. Uma operação é definida como uma ação ou um grupo de ações interiorizadas e reversíveis que transformam o objeto do conhecimento e possibilitam que o sujeito compreenda as estruturas dessa transformação. Operar é, também, um processo que está sempre ligado a outras operações e, portanto, é sempre parte de uma estrutura total, uma estrutura operacional que compõe a base do conhecimento.

Piaget (1973), afirma que essas estruturas são elaboradas primeiramente por operações lógicas e, em seguida, pela coordenação geral dessas ações. No começo da coordenação das ações, ela necessita ser apoiada em materiais concretos, pois ocorre, normalmente, antes do estágio das operações. Com o processo de desenvolvimento, essa coordenação conduz às estruturas lógico-matemáticas. Esse processo, desenrola-se com suporte nas experiências do sujeito, um dos fatores determinantes da transposição dos níveis de desenvolvimento.[2]

Cabe diferenciar dois tipos de experiência: uma é a experiência física, que consiste em modificar características físicas como posição, forma, cor, tamanho, etc.; a outra consiste em modificar o objeto atribuindo-lhe novas propriedades ou relações desde que se conservem as suas propriedades ou relações anteriores, ao mesmo tempo que as completem com sistemas de classificações, ordenações, estabelecimentos de correspondência, enumerações ou medidas, etc. A essa segunda forma de transformar o objeto com o propósito de conhecê-lo, Piaget (1973) chama de experiências lógico-matemáticas. Esse tipo de experiência retira informação das ações e da coordenação dessas ações executadas sobre os objetos, não das propriedades físicas de objetos particulares.

Essa experiência lógico-matemática dá-se a partir da coordenação geral das ações de juntar coisas, ordená-las, seriá-las, etc. É uma experiência das ações do sujeito e não de objetos em si mesmos. É uma experiência que se faz necessária antes que possa haver operações. Uma vez que as operações sejam atingidas, ela torna-se desnecessária e a coordenação das ações pode ocorrer por si mesma, sob a forma de dedução e construção de estruturas abstratas.

Como exemplo de experiência lógico-matemática, Piaget (1972) cita a vivência de um amigo matemático que, quando criança, brincava com sementes, agrupando-as em linha e contando-as, da esquerda para a direita, encontrando dez. Depois, as contou da direita para a esquerda e ainda encontrou dez. Então, as colocou em um círculo e encontrou novamente, dez. Contou-as no sentido oposto e eram dez em ambos os sentidos. Continuou organizando as sementes de vários modos e acabou convencido de que o total era dez, independente da disposição ou organização delas. Na citação abaixo, Piaget (1972) explica porque não é a propriedade física das sementes que a experiência demonstra, mas sim uma propriedade das ações realizadas com elas:

Ele não descobriu uma propriedade das sementes, descobriu uma propriedade da ação de ordenar. As sementes não possuem ordem. Foi a sua ação que introduziu um ordenamento em fileira ou circular, ou algum outro tipo de ordem. Ele descobriu que a soma era independente da ordem. A ordem era a ação que ele introduzia entre as sementes. O mesmo princípio aplicava-se a soma. As sementes não possuem soma; eram simplesmente uma pilha. Para fazer uma soma, era necessária uma ação – a operação de colocá-las juntas e contá-las. Ele descobriu que a soma era independente da ordem, em outras palavras, que a ação de pô-las junto era independente da ação de ordená-las. Descobriu uma propriedade da ação e não de uma propriedade das sementes (p. 13).

No exemplo, foi uma manipulação livre, uma experiência física, que proporcionou a ocorrência de uma abstração, uma experiência lógico-matemática. Dessa situação podemos perceber que diferenciação entre essas duas experiências, ao contrário do que possa parecer, não está no fato de interagir com objetos [3], mas na exploração das ações, das propriedades, dos significados, enfim, das operações realizadas pelo sujeito.

Abordando, mais especificamente, a questão do pensamento matemático, Piaget (1987) afirma que as operações lógico-matemáticas estão ligadas às ações mais gerais que podem ser aplicadas nos objetos como agrupar, separar, ordenar, estabelecer correspondência, etc.

Inicialmente, as ações mais gerais passíveis de serem aplicadas ao objeto acorrem de acordo com o aspecto físico, especializadas em função do objeto mesmo. Essas ações gerais consistem em transformações materiais e/ou mentais realizadas sobre os próprios objetos. Há, ainda, intervindo sobre elas, as coordenações gerais sobre as próprias ações físicas, ou seja, as ações de agrupar, separar, ordenar, desordenar, etc. são também associadas ou dissociadas, postas em correspondência, ordenadas, etc. Pode-se dizer que o sujeito atua sobre os objetos e sobre as ações da mesma forma, coordenando-os como se fossem homólogos. Essas coordenações gerais das ações e das ações especializadas são indiferenciadas para o sujeito no começo.

Em um segundo momento, essas ações abrangem também coordenações gerais entre as próprias ações e, assim, as operações lógico-matemáticas podem ser delineadas como uma experiência das próprias ações do sujeito, da representação e das coordenações inferenciais sobre essas ações e não como uma experiência de objetos em si mesmos. A diferenciação entre as operações físicas e as operações matemáticas acorre de forma crescente à medida que o sujeito começa a distinguir os elementos específicos do objeto dos generalizadores, isto é, ao que pode ser deduzido da coordenação da ação sobre o objeto.

Uma vez que essas operações são atingidas, a experiência não é mais necessária e a coordenação das ações pode ocorrer por si mesma, sob a forma de dedução e construção de estruturas abstratas. É ainda no nível das operações concretas que agrupamentos lógicos e estruturas espaciais e numéricas são constituídas em sistemas dedutivos diferenciados das operações físicas.

Por último, as operações lógico-matemáticas assumem o caráter de construções axiomáticas, generalizando formalizações independentemente de qualquer tipo de experiência. O sujeito abre mão da ação física de modo que as coordenações das ações especializadas passam a ser consideradas como casos particulares das ações possíveis.

Em outras palavras, o pensamento matemático desenvolve-se a partir de ações suscetíveis a repetições e, depois, a generalizações. À medida que esse processo se desenrola, surgem esquemas de assimilação que se auto-organizam de acordo com as leis que os estruturam. Manifesta-se uma lógica de ação que comanda a construção de identidades, o que conduz à elaboração de estruturas. O desenvolvimento dos entes matemáticos é originado na coordenação de ações do sujeito sobre o objeto que se distancia cada vez mais do objeto em si, mas pode reencontrá-lo e valer-se dele em qualquer nível de profundidade que sua análise física possa conduzir.

O professor, portanto, deve possibilitar a vivência dessas experiências ou, em outras palavras, deve permitir que as ações dos alunos desencadeiem suas generalizações; deve possibilitar e permitir que o aluno seja agente na construção de seu próprio conhecimento – agente no sentido de agir, participar, envolver-se, etc. para aprender. Assim, os professores agem como organizadores, consultores, mediadores, controladores, incentivadores de aprendizagens [4] (PCNs, pg. 31).

Ao contrário da simples reprodução de procedimentos e do acúmulo de informações, é consenso que se deve possibilitar o desenvolvimento dos alunos de forma que eles possam construir capacidades de observação e análise, de estabelecimento de relações, de comunicação e argumentação e de validação e defesa de processos e idéias, além de estimular diferentes formas de raciocínio, intuição, indução e dedução e a estimativa.

Enfim, retomando a importância das experiências físicas e lógico-matemáticas e a convergência existente entre essas ações e coordenações de ações e os “caminhos para 'fazer Matemática' na sala de aula”, apresentados nos PCNs (pg. 32), destacamos que os recursos à resolução de problemas, à história da Matemática, às tecnologias da informação e aos jogos são ótimas alternativas de trabalho em Matemática [5], pois possibilitam ao aluno a criação de seus próprios métodos de resolução e, até mesmo, de suas próprias teorias e viabilizam a exploração e o conseqüente desenvolvimento do raciocínio. O professor, ao valer-se dessas e outras alternativas de trabalho, auxilia os alunos em suas aprendizagens, oferecendo diferentes formas de relacionamento e variadas formas de exploração do saber científico disseminado.

Referências
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais : matemática / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília : MEC/SEF, 1997.

CARRAHER, D. W. Educação Tradicional e Educação Moderna. In: CARRAHER, T. N. (Org.). Aprender Pensando: Contribuições da Psicologia Cognitiva para a Educação. Petrópolis: Vozes, 1986. p.11–30.

CARRAHER, T. N. Sociedade e Inteligência. São Paulo: Cortez, 1989.

HOFFMANN, D.S. Aprender Matemática: tornar-se sujeito da Sociedade em Rede. 2006. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social e Institucional) – Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006.

PAPERT, S. LOGO: Computadores e Educação. São Paulo: Brasiliense, 1980.

PIAGET, J. Development and learning. In: LAVATTELLY, C. S. & STENDLER, F. Reading in child behavior and development. New York: Hartcourt Brace Janovich, 1972.

______. Comentários sobre educação matemática. In: Developments in mathematical education: proceedings of the 2nd International Congress on mathematical education, 1972. London: Cambridge University Press, 1973.

______. Introducción a la epistemología genética: El pensamiento matemático. México: Paidós, 1987.

______. Epistemologia Genética. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

______. Para Onde Vai a Educação? 16ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2002.




[1] Texto adaptado da dissertação de mestrado Aprender matemática: tornar-se um sujeito da Sociedade em Rede apresentada por Daniela Hoffmann, em 2006, no Programa de Pós Graduação em Psicologia Social e Institucional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGPSI/UFRGS). [[http://www.lec.ufrgs.br/~dani/pp/dissert.htm]]

[2] Os estágios de desenvolvimento estão resumidos a partir das inúmeras experiências publicadas por Jean Piaget e sua equipe ao longo de várias obras. São eles: (I) sensório-motor: desenvolve-se o conhecimento prático que constitui a base do conhecimento representativo posterior a partir da atividade sensorial e motora do sujeito; não há representação mental e verbal dos objetos; (2) pré-operatório: início da linguagem e da representação simbólica; reconstrução, no nível do pensamento representativo, de tudo o que foi desenvolvido anteriormente; caracteriza-se pelo egocentrismo do sujeito que registra somente estados momentâneos sem articular sistemas de significação; (3) operatório-concreto: primeiras operações concretas as quais necessitam da manipulação de objetos que já são, além de materiais, representações mentais integradas aos sistemas de ação do sujeito; (4) operatório-formal: são realizadas operações hipotético-dedutivas com o raciocínio não mais limitado à presença de objetos; predominam as operações sobre a forma em detrimento do conteúdo. Há uma lógica intrínseca nesses estágios que resulta de seu ordenamento constante, encontrado nas diferentes sociedades estudadas por Piaget (1972) e seus colaboradores. Ainda que a idade cronológica de ocorrência dos estágios varie bastante – foram observadas variações de mais de quatro anos – a ordem de sucessão é constante.

[3] Não se está restringindo a palavra “objeto” a objetos concretos e palpáveis. O termo “objeto” é usado em toda sua amplitude: conceitos, pessoas, materiais concretos, simulações computacionais, etc.

[4] Os papéis das/dos professoras/professores ganham os seguintes sentidos: (1) organizador – conhecer seu aluno, suas condições sócio-culturais, suas habilidades e competências já desenvolvidas para realizar ações que favoreçam a aprendizagem; (2) consultor – fornecer informações necessárias que o aluno não tem condições de obter sozinho; (3) mediadores – promover a confrontação das propostas dos alunos; (4) controlador – estabelecer condições para as realizações das atividades; (5) incentivador – proporcionar a cooperação entre os alunos.

[5] Os princípios dos recursos didático-pedagógicos têm como princípios principais: (1) resolução de problemas – partir de situações que tenham significado junto aos alunos para chegar à teoria; levar o aluno a interpretar o enunciado e a estruturar a situação; experimentar diferentes estratégias em busca da solução do problema, socializar com os colegas; construir um campo de generalizações, conseqüentemente, conceitos relacionados com a busca pela resolução; (2) história da Matemática – revelar a Matemática como criação humana, mostrando os contextos sócio-culturais nos quais determinados conceitos foram criados; (3) tecnologia da informação – levar o aluno a perceber a importância dos uso da tecnologia; explorar novas possibilidades educativas não possíveis de serem implementadas sem tecnologia; utilizar o caráter lógico-matemático intrínseco às tecnologias da informação como aliado ao desenvolvimento cognitivo dos alunos; selecionar os software educacionais adequados; permitir que o aluno, na interação com o computador possa aprender com seus erros e junto aos colegas, trocando e comparando produções; (4) jogos – explorar ações repetitivas que podem levar a generalizações; possibilitar a relação dos alunos com diferentes linguagens de expressão e símbolos; proporcionar situações que evidenciem a necessidade da existência de regras que, ora são construídas em conjunto, ora são impostas por convenções; oferecer jogos em grupo com o intuito no desenvolvimento cognitivo, emocional, moral e social dos alunos. (PCNs, pg. 32-36)

 

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