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Neusa
Maria Carlan Sá
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Ao longo de diferentes processos civilizatórios,
o jogo sempre se fez presente como eixo central nas relações
humanas, seja sob a forma de rituais, mitos, trabalho, festividades
ou divertimentos.
Com tal penetração que remonta tempos distantes, vigorando até o presente momento é compreensível que tal elemento sofra diversas interpretações a partir de impressões e estudos de diferentes áreas do conhecimento e do próprio senso comum. Assim, atribuiu-se à palavra jogo diferentes sentidos, chegando, até mesmo, alguns, servirem para fins depreciativos como é o caso dos termos “jogo de interesses” e “isto não é sério; é só uma brincadeirinha”. Desta forma, para fins didáticos busco diferenciar estes três termos (tendo como referência teórica os estudos de Kishimoto – 2002), porém, no Brasil, a exemplo de outros países, estes termos são empregados como sinônimos. De acordo com Kishimoto (idem), pode-se definir tais elementos como: |
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Para Caillois (1986) o jogo é uma atividade livre e voluntária, fonte de alegria e diversão. Predomina a incerteza e o caráter improdutivo de não criar nem bens nem riquezas. Acredita que somente se joga quando é do desejo do sujeito: quando ele quer e o tempo que quiser. Este autor acredita que jogo é muito mais do que uma situação estruturada pelo tipo de material. Comenta:
Porém, continua este autor, dizendo que quando
o sujeito se vincula a uma partitura, ou a um papel a interpretar,
torna-se menos livre de manifestar sua personalidade diante
das ilimitadas variações que uma determinada situação
lúdica pode proporcionar. Por isso, Caillois (idem)
entende que a palavra jogo combina com liberdade e invenção.
Desta forma, tal autor afirma que estas, assim como outras atividades que a criança desenvolve, estão diretamente relacionadas com a afirmação do seu “eu”. Logo, fica claro que a criança não vive apenas para brincar - em que pese dizer que o brincar ocupa na vida infantil lugar de maior relevância – mas não se pode negar que existam outras intencionalidades subjascentes aos seus atos, que não o lúdico, da mesma maneira como também ocorre com o adulto em relação ao seu trabalho, ou seja, o adulto não nasceu apenas para trabalhar, ele também necessita de momentos de lazer que respondam as suas vontades mais íntimas. E para ilustrar bem a idéia de que não é somente a criança que brinca, cito um pensamento de Negrine (idem) que diz:
Assim, não quero desmerecer o feito do lúdico na vida da criança, o qual acontece de forma muito mais plena, intensa do que na vida do adulto, tampouco ignoro o fato de que a criança satisfaz certas necessidades através do jogo, da brincadeira, mas o que quero salientar é que não podemos, ao contrário, restringir tal dimensão como especificidade limitada ao universo infantil. Assim como ao termos consciência que a criança possui outras intencionalidades além do brincar, trazemos o lúdico para um lugar de respeito à medida que desfazemos o equívoco de que a criança brinca porque não tem nada mais sério para fazer. |
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*Confira, mais adiante, outra abordagem no Enfoque
Psicologia do Jogo, texto "O que diz a teoria de Piaget sobre
o brincar?"
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*Para visualizar os conceitos de jogo, brinquedo e brincadeira, os quais se encontram no link acima, é necessário o plugin do Flash Player 8. Você pode encontrá-lo através do link a seguir:
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| Referências Bibliográficas | |||||